terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vicente Campos Filho lança “DICIONÁRIO DE PARAIBÊS” em forma de cordel




O cordelista Vicente Campos Filho lançou recentemente um folheto de cordel denominado “Dicionário de paraibês”. Em forma de versos, estão dispostos 170 termos utilizados, principalmente no interior paraibano, todos eles acompanhados de seus respectivos sinônimos.

Há cinco anos residindo em João Pessoa, o paraibano da cidade de Patos diz que se utiliza da experiência adquirida durante os seus 44 anos de vida no sertão. “Os termos regionais apresentados nesse cordel representam o que há de mais puro no vocabulário de pessoas que moram no interior”, revela Vicente Campos Filho.

Autor de mais de três dezenas de cordéis, Vicente Campos Filho distribui os seus folhetos para comercialização nas diversas lojas especializadas em produtos para turistas da nossa capital e em bancas de revistas. Ele conta que este em especial, se destina à promoção da nossa cultura entre os que visitam a Paraíba. “O Dicionário de paraibês tem sido muito bem aceito entre os turistas que aqui chegam e que buscam informações sobre a cultura paraibana. Vários outros cordéis que tenho publicado são bem aceitos. Mas este tem superado as expectativas. Tanto turistas como nativos se deliciam com os termos apresentados”.

Os cordéis de Vicente Campos Filho revelam a veia humorística do autor que diz gostar de provocar risos nas estórias contadas em forma de versos. “Gosto muito quando vejo alguém folhear um de meus cordéis e exibir um ar de riso ao ler algumas estrofes”, confessa.

Leia abaixo algumas estrofes do "Dicionário de Paraibês":

(...)
Longe é a BAIXA DA ÉGUA
O ali é ACULÁ
Devagar é SÓ NA MANHA
Correr é DESIMBESTAR
O de cima é o de RIBA
Botar no chão é ARRIAR.

Mulher bonita é VISTOSA
Mulher feia é CANHÃO
Quem se zanga DÁ A GOTA
Quem dá bronca DÁ CARÃO
Menino que anda lento
OH... MENINO REMANCHÃO!

O otário é MANÉ
O malandro é MALAQUIA
Estar com pressa é AVEXADO
Dizer: “Vem logo” é “AVIA”
E quem se espanta com algo
Diz assim: “AFF MARIA!”.

Caprichar é DAR O GRAU
Mal feito é ARRUMAÇÃO
O que é bom é ARRETADO
O medroso é CAGÃO
Pessoa boa é FILÉ
E puxa saco é BABÃO.
(...)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Gramática em Versos de Janduhi Dantas é publicada pela Editora Vozes



A já consagrada Gramática no Cordel, do cordelista paraibano Janduhi Dantas, acaba de ser lançada pela Editora Vozes. Desta vez o livro foi publicado com 400 estrofes e tem como o título: “Lições de Gramática em versos de cordel”.

Nascido na cidade de Patos, Janduhi também é autor de vários cordéis e nos explica porque o livro foi ampliado nesta nova edição. “Desta vez o livro traz um capítulo em que abordo o Novo Acordo Ortográfico”, comentou.

O livro “Lições de Gramática em versos de cordel” pode ser adquirido nas Livrarias Vozes ou pelo site www.editoravozes.com.br.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A candidatura de Lampião para presidente da República




O cordel “A candidatura de Lampião para presidente da República” foi escrito há alguns anos e contém 24 estrofes de sete versos (linhas). Nele o autor transforma o cangaceiro Lampião em um “herói” do povo do sertão. Uma estória que mexe com o imaginário popular, onde o famoso desordeiro que habitou os sertões nordestinos no início do século passado se transformaria num candidato capaz de derrotar os políticos da época.

Capa com xilogravura de Marcelo Soares.

Leio o texto abaixo:

A candidatura de Lampião para presidente da República

Das histórias que surgiram
No Nordeste do Brasil
Sobre um tal de Virgulino
Lampião, homem viril,
Tem uma que ficou fora
Dos registros da história
Pouca gente já ouviu.

Quem me contou com detalhes
Eu não sei se é mentira
Foi um velho ex-cangaceiro
Chamado Zé Macambira
Me disse que Lampião
Foi um herói do sertão
Esse título ninguém tira.

Me disse que era tanta
A fama de Lampião
Que um cangaceiro seu
Deu a sua opinião
Meu Capitão vosmecê
É quem merecia ser
Presidente da nação.

Pois não é que Lampião
Aceitou logo no ato
E disse em cima da bucha:
– Eu quero ser candidato
E quem não votar em mim
Só pode ser cabra ruim
Eu esfolo, capo e mato.

E o plano de governo
Do Capitão Virgulino
Amplamente divulgado
Pelo Sertão Nordestino
Teve logo aprovação
De toda a população
Homem, mulher e menino.

Vou tentar reproduzir
O plano do cangaceiro
Como foi que Lampião
Convenceu o povo inteiro
A aprovar o seu plano
E votar naquele ano
No famoso justiceiro.

Lampião já discursava
Pensavam como seria
Viver sem corrupção
Felicidade pra todos
Habitantes da nação
Por toda parte se ouvia
Dia e noite, noite e dia
– Vou votar em Lampião.

Virgulino aonde chegava
Era motivo de alegria
Conquistava toda a gente
Do Ceará a Bahia
E nos braços do povão
Provocava um arrastão
Era grande a romaria.

Os políticos invejavam
Tanta popularidade
Temiam que a promessa
Se transformasse em verdade
Se Lampião fosse eleito
De deputado a prefeito
Perdia a tranqüilidade.

Por isso se reuniu
De vereador a prefeito
Naquela situação
Resolveram dar um jeito
Armaram aquela cilada
De tocaia na estrada
Montaram um plano perfeito.

Lá pras bandas de Angicos
Fuzilaram Lampião
Mas acabaram também
Com os planos da nação
De criar um país novo
Calaram a boca do povo
Venceu a corrupção.

No Nordeste inteiro o povo
Chorou a morte do bando
Do Capitão Virgulino
Ficavam só comentando
Ô cabra macho da peste
Representou o Nordeste
Viveu e morreu lutando.

Se o plano de Lampião
Tivesse ido à frente
A vida aqui no Brasil
Seria bem diferente
Não ia faltar o pão
Saúde e educação
Na vida da nossa gente.

Se um dia surgir aqui
Outro Lampião disposto
A mudar nossa história
Vai ser bem vindo no posto
De Capitão da Justiça
Vai acabar com a injustiça
E recebido com gosto.

Isso foi o que eu ouvi
Da boca do ex-cangaceiro
Quem quiser que conte outra
Porque eu cheguei primeiro
Não diga que estou mentindo
Vá por aí repetindo
A estória do justiceiro.

Em todo lugar que ia
Seu lema era limpeza
Credo, cruz, Ave Maria
– Eu vou varrer desse mundo
Tudo quanto é vagabundo,
Era isso que dizia.

Prometia: – Vou banir
Desse mundo a ladroagem
Também prometo acabar
Com essa vagabundagem
Esse bando de safado
Vai se ver encurralado
Vou acabar com a bandidagem...

...Esses políticos corruptos
Vão provar minha chibata
Eu prometo acabar
Com essa tal de mamata
Palavra de Lampião
Cabra brabo do sertão
Feito dez siris na lata...

... O prefeito que roubar
Dinheiro da prefeitura
Vai ter que se ver comigo
E vai levar uma dura
Vou manda-lo pra prisão
Pra comer banha com pão
E feijão com rapadura...

... Prometo fiscalizar
Os atos dos deputados
Se andarem fora da linha
Eles vão estar lascados
Eu mando juntar tudim
O magote de cabra ruim
Todos eles amarrados...

...Depois boto num navio
Solto lá no mei do mar
Tudo quanto é tubarão
De comer vai se fartar
Quero ver dentro de um ano
Sem mentira e sem engano
Esse país se ajeitar...

...Vou mostrar pra essa gente
Que eu boto ordem na casa
Político ruim e safado
Comigo pega em brasa
Arranco o couro das costas
Capo, corto a trouxa em postas
Ladrão comigo se arrasa.

O programa de governo
Era voltado pro povo
E este logo aprovou
Sonhando com um Brasil novo
Um país justo e feliz
Dono do próprio nariz
Sem dever sequer um ovo.

O povo do meu sertão
Já estava até sonhando
Com uma vida melhor
Estavam todos contando
Pensavam como seria
Ter saúde e moradia
A educação prosperando.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cordel “O homem do saco grande”




Como sempre, buscamos uma forma bem humorada de abordar os diversos temas que cercam trajetória humana. Mesmo que o assunto focado não seja algo que provoque risos como o caso de uma doença. Porém, o que seria de nossas vidas se não pudéssemos dar umas boas risadas. Afinal, o humor pode sim, esconder-se por trás de acontecimentos trágicos. Por isso, um homem com hérnia escrotal pode ser chamado de “O homem do saco grande”.

O HOMEM DO SACO GRANDE

Certos tipos de doenças
Não dá nem pra perceber
Mas, outras, qualquer pessoa
Percebe até sem querer
Quem tem hérnia escrotal
Anda de maneira tal
Que até de longe se vê.

Acontece por fazer
Esforço demasiado
Foi assim com seu Nonô
Que teve o saco aumentado
Usava calça folgada
Ouvia cada piada
Passou por um mal bocado.

Quando estava sentado
Ninguém podia animá-lo
Botava o saco pra cima
Procurava acomodá-lo
Andava a todo o momento
Protegendo o documento
Assim pra não machucá-lo.

De passeio a cavalo
Certo dia Seu Nonô
Sentiu sede, pediu água
Numa casa que avistou
A moça que atendeu
O pacote percebeu
E bem depressa falou:

“Desapei meu senhor
Sua sede eu vou matar
Me dê cá a sua trouxa
Pro cavalo descansar
Se assente nessa cadeira
Ou na espreguiçadeira
Que a água eu vou pegar”.

Aquela foi de lascar
Das tripas ao coração
O velho se aborreceu
Disse: “Não precisa não
Se eu lhe der essa trouxa
Que levo aqui entre as coxas
Vai junto meus dois cunhão”

E em outra ocasião
Seu Nonô tava sentado
Na varanda de sua casa
Apareceu um coitado
Vinha assim com tanta fome
Que o pobrezinho do home
Tava desorientado.

E falou: “Abençoado
Ouça o que eu vou lhe falar
Se um pouco de comida
O senhor puder me dar
Vou rezar pra Padim Ciço
Lhe abençoar por isso
E mais riqueza lhe dar”.

Seu Nonô pegou a gritar:
“Maria vem no terraço
Traga feijão com arroz
De toicim traz um pedaço
Traz um pouco de farinha
Bota caldo de galinha
Que a mistura eu mesmo faço”.

Ficou assim um pratasso
E o homem caiu de boca
Seu Nonô admirado
Com aquela fome louca
Pensando: “Que triste sina
Pra essa fome canina
Qualquer comida é pouca”.

E depois com a voz rouca
O homem agradecendo
Disse:”Que boa pessoa
Comigo o senhor tá sendo
Vou rezar pro meu Padim
Pra suas coisa ir assim
Cada dia mais crescendo”.

Seu Nonô se aborrecendo
Falou: “Ah! Seu desgraçado
Você vem na minha casa
E depois de alimentado
Com a maior cara de pau
Vem me desejando mal
Ver meu saco aumentado”.

E o homem encabulado
Disse: “Eu não falei no saco
Mas eu conheço um remédio
Que não tem nada de fraco
Se fizer como eu mandar
O senhor vai se curar
Pode confiar no taco...

...Cave um pequeno buraco
No chão bote uma panela
Pegue um punhado de brasas
E despeje dentro dela
Pegue espinho de cardeiro
Com folha de marmeleiro
E cinco pau de canela...

...Coloque isso tudo nela
E as brasas vá abanando
Tire a roupa fique nu
E vá se acocorando
Vá descendo até bem perto
Vai sentir no tempo certo
Que o ovo vai esquentando...

...Já vai estar fumaçando
E o senhor vai se cobrir
Com um lençol bem comprido
Pra fumaça não sair
E depois de meia hora
Vai sentido sem demora
O ovo diminuir”.

E depois daquilo ouvir
Seu Nonô que é velho esperto
Pensando consigo mesmo
Que poderia dar certo
Iria dar um jeitinho
De fazer tudo sozinho
Sem ninguém ali por perto.

E estando o campo aberto
Por estar sozinho em casa
Certo dia Seu Nonô
Preparou o fogo de brasa
E ali mesmo no terreiro
Fez um buraco ligeiro
Tipo uma covinha rasa.

Uma panela sem asa
De barro bem trabalhado
Colocou naquela cova
Deixou tudo arrumado
Deu início à simpatia
Do jeito que noutro dia
O homem tinha ensinado.

Pegou de brasa um punhado
Jogou dentro da panela
O espinho do cardeiro
Marmeleiro e canela
Depois ele se despiu
Com o lençol se cobriu
Vejam só que cena bela.

Uma fumaça amarela
Subindo sob a coberta
Seu Nonô se acocorando
Descendo com a perna aberta
E o ovão aproximando
Da brasa e esquentando
A presepada era certa.

E a ponta da coberta
Caiu na brasa e queimou
E por debaixo do pano
O fumaceiro aumentou
O fogo foi aumentando
E o ovão esquentando
E o velho se apavorou.

Coitado de Seu Nonô
Na hora caiu sentado
Bem em cima da panela
Teve o saco chamuscado
Se o ovão já era estranho
Quase dobrou de tamanho
De tão grande e inchado.

Desde então quando abordado
Se alguém diz: ”Seu Nonô...
Eu tenho uma simpatia
Pra lhe cura sem ter dor”
Sem medida e sem régua
Ele diz: “Filho da égua
Ensine pro seu avô”.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

João Bosco Dias, Bebé de Natércio, Bira e Merlânio Maia na Semana de Cultura Popular na FCJA




Os poetas Bebé de Natércio, Merlânio Maia, João Bosco Dias e o músico Bira se apresentaram na tarde/noite desta terça-feira (25), na Fundação Casa de José Américo. A apresentação, que constou de declamações de cordéis e execução músicas conhecidas e inéditas de Bebé de Natércio e Bira, fez parte programação da Semana Cultural na FCJA.

A 1ª Semana Cultural na FCJA teve início na segunda-feira (24) e tem como tema a "Vida e Obra de Luiz Gonzaga". Além dos poetas citados acima, o público pode assistir à amostra de dança do Grupo de Xaxado Mulheres do Cangaço.

De acordo com a direção da Fundação Casa de José Américo, a proposta do projeto é valorizar a cultura popular como forma de integração do indivíduo em suas raízes culturais; e também discutir a dialógica com a cultura de massas, que é característica na sociedade urbana.

Durante toda a semana cultural o público poderá assistir a apresentação de Grupos de Danças populares; bandas e artistas musicais; Cordelistas; Contadores de Causos e Palestras, além de exposições, vendas de farmácia popular, culinária regional e artesanato.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vândalos depredram estátua de bronze no Ponto Cem Réis





Quem passou pela nova Praça do Ponto do Cem Réis na manhã desta quarta-feira (6), deparou-se com o resultado de um ato de vandalismo. Depois de pouco mais de 48 horas da inauguração da praça, a estátua de bronze que homenageia o compositor Livardo Alves teve os óculos roubados durante a madrugada.

O compositor Livardo Alves, famoso pela composição da marchinha carnavalesca que tinha como refrão: “Eu mato quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato”, desta vez teve os óculos roubados. A estátua em bronze, em tamanho natural, sentado num banco de praça, foi uma homenagem merecida ao grande compositor.

Pessoa que viram de perto o resultado da ação dos vândalos se dizem preocupadas, pois, no banco, também de bronze, está o chapéu do homenageado, que pode ser alvo dos mal-feitores.

Eu mato / Eu mato
Quem roubou esses meus óculos
Sem eles não enxergo nada
Dei um cochilo
Lá na calçada
Veio um larápio e fez essa presepada.

Eu mato / eu mato
Quem roubou esses meus óculos
Sem eles não enxergo nada

Eu mato / eu mato
Quem roubou esses meus óculos
Sem eles não enxergo nada

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Poeta Vicente Campos Filho se apresenta na Tenda dos cordéis





Em 28 de junho
O poeta popular
Vicente Campos Filho
Irá se apresentar
Na Tenda dos Cordéis
Seus cordéis vai declamar.

A Tenda que abriga artistas
Fica no São João Pessoa
Pra quem aprecia arte
Quem gosta de coisa boa
Um forró de qualidade
Pra jovem velho e coroa.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A farra das passagens aéreas no Congresso Nacional




Mamãe eu já cresci
Hoje eu sou um deputado
Ou então um senador
E com a verba do Senado
Vou viver fora do chão
Morar dentro do avião
Eu vou voar adoidado.

À custa desse povão
Vou fazer muitas viagens
Não vou querer nem saber
Quem ta pagando as passagens
Vou estar muito ocupado
Com pose de deputado
Pra me importar com bobagens.

Já sei o que vou fazer
Com as passagens da minha cota
Vou distribuir tudinho
Com a Tia Maricota
Tio Zezim, Tio Edmundo
Tio Antônio, Tio Raimundo
Meus parentes que em mim vota.

Nós vamos viver nos ares
Feito um bando de andorinha
O povo não me elegeu?!
Pois então! A cota é minha
Vou levar a prima Tonha
Até meu primo Noronha
E a minha irmã Corrinha.

Vamos conhecer as Índias
O Himalaia, o Japão
Vamos voar pra Europa,
Vamos conhecer Milão
Argentina, Peru China
Vamos até pra Conchichina
Ou pro Afeganistão.

O importante é voar
Sem saber quem tá pagando
Tomando wisk do bom
Pelo mundo passeando
Pois passagem é que não falta
Se a conta é sempre alta
Eu tô pouco me importando.

Quando eu estou lá em cima
Voando feito urubu
De norte pro centro-oeste
Do nordeste para o sul
Não estou me preocupando
Se a conta, quem está pagando
É um bando de papangu.

terça-feira, 31 de março de 2009

A mulher que vendeu o marido por R$ 1,99


O cordel “A mulher que vendeu o marido por R$1,99”, do poeta patoense Janduhi Dantas foi adaptado para o teatro de rua. O folheto conta a história de uma mulher que não suportando mais a bebedeira do marido, resolve vende-lo na feira. Janduhi tornou-se conhecido nacionalmente pela publicação da “Gramática no Cordel”..

Veja abaixo, o vídeo publicado no You Tube:

video

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quer torcer pra time bom... Vem torcer pro Nacional!




O Nacional de Patos foi
A João Pessoa e ganhou
Do Botafogo na quinta
E a torcida não gostou
Botafoguenses gritavam
“Saia da frente”, esbravejavam
Diziam: “O terror chegou”.

Só se ouvia: ‘É uma vergonha”
Nos cantos do Almeidão
Mas não é vergonha alguma
A derrota pro Verdão
Quem conhece o Canarinho
Sabe que o bicho é verdinho
Do litoral ao sertão.

Vergonha é o torcedor
Ficar decepcionado
Perder o próprio domínio
Não saber ser derrotado
Agredir o jogador
Vergonha é torcedor
Partir pra invadir gramado.

Vergonha deve sentir
A mãe de um rapazinho
Que sai de campo algemado
Por não saber o caminho
De uma torcida decentemente
Sai com um soldado à frente
Puxando no colarinho.

Mas tem uma solução
Pra torcedor animal
Tomar chá de camomila
Deixar de torcer tão mal
Seu time não para em pé
Deixa disso seu Mané
Vem torcer pro Nacional.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Brincadeirinha do caralho...!




Tradição de japonês
É sair tudo agarrado
Num caralho aloprado
Pra esquecer a pequinês
Ou quem sabe até talvez
Pedir pro seu santo Buda
Pra lhe dar uma ajuda
Pra aumentar seu pingolim
Mas eu tenho cá pra mim
Que é boiolagem aguda.

E essa ruma de macho
Agarrado a uma rola
Nessa festa mais que tola
Descendo ladeira abaixo
Sem nenhum sadismo, eu acho
Que o japonês se anima
Pensa que é uma esgrima
Carregando esse pesão
Mas no fim da procissão
Eles vão sentar em cima.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Miguezim de Princesa, autor de: A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

A história da excomunhão das pessoas que viabilizaram o aborto feito em uma criança vítima de estupro rendeu uma série de 10 estrofes a um poeta chamado Miguezim de Princesa. Não o conheço, mas aproveito para dar os parabéns ao autor dos versos que seguem descritos abaixo:

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA*
* /Miguezim de Princesa/ **

**
*Peço à musa do improviso*
*Que me dê inspiração,*
*Ciência e sabedoria,*
*Inteligência e razão,*
*Peço que Deus que me proteja*
*Para falar de uma igreja*
*Que comete aberração.*
**
*II*
*Pelas fogueiras que arderam*
*No tempo da Inquisição,*
*Pelas mulheres queimadas*
*Sem apelo ou compaixão,*
*Pensava que o Vaticano*
*Tinha mudado de plano,*
*Abolido a excomunhão.*
**
*III*
*Mas o bispo Dom José,*
*Um homem conservador,*
*Tratou com impiedade*
*A vítima de um estuprador,*
*Massacrada e abusada,*
*Sofrida e violentada,*
*Sem futuro e sem amor.*
**
*IV*
*Depois que houve o estupro,*
*A menina engravidou.*
*Ela só tem nove anos,*
*A Justiça autorizou*
*Que a criança abortasse*
*Antes que a vida brotasse*
*Um fruto do desamor.*
**
*V*
*O aborto, já previsto*
*Na nossa legislação,*
*Teve o apoio declarado*
*Do ministro Temporão,*
*Que é médico bom e zeloso,*
*E mostrou ser corajoso*
*Ao enfrentar a questão.*
**
*VI*
*Além de excomungar*
*O ministro Temporão,*
*Dom José excomungou*
*Da menina, sem razão,*
*A mãe, a vó e a tia*
*E se brincar puniria*
*Até a quarta geração.*
**
*VII*
*É esquisito que a igreja,*
*Que tanto prega o perdão,*
*Resolva excomungar médicos*
*Que cumpriram sua missão*
*E num beco sem saída*
*Livraram uma pobre vida*
*Do fel da desilusão.*
**
*VIII*
*Mas o mundo está virado*
*E cheio de desatinos:*
*Missa virou presepada,*
*Tem dança até do pepino,*
*Padre que usa bermuda,*
*Deixando mulher buchuda*
*E bolindo com os meninos.*
**
*IX*
*Milhões morrendo de Aids:*
*É grande a devastação,*
*Mas a igreja acha bom*
*Furunfar sem proteção*
*E o padre prega na missa*
*Que camisinha na lingüiça*
*É uma coisa do Cão.*
**
*X*
*E esta quem me contou*
*Foi Lima do Camarão:*
*Dom José excomungou*
*A equipe de plantão,*
*A família da menina *
*E o ministro Temporão,*
*Mas para o estuprador,*
*Que por certo perdoou,*
*O arcebispo reservou*
* A vaga de sacristão.*

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A beleza de Sofia




Foi na festa de setembro
Quermesse da padroeira
Que eu cai na bagaceira
Depois de cinco meiota
Eu e Sofia Cambota
Foi grande a minha alegria
Acordei no outro dia
Em minha cama flutuano
Feliz e admirano
A beleza de Sofia.

Nunca vi mulher tão bela
Com os cabelo assanhado
E os piôi tudo agarrado
Entrano na minha boca
Era essa a cabôca
Que a Santo Antônio eu pedia
Nas promessa que eu fazia
Insistente todo ano
E eu fiquei admirano
A beleza de Sofia.

Os zói trocado mirava
Um pro norte outro pro sul
Os peito era dois umbu
De tão pequeno e mucho
Só tinha banha no bucho
E a bunda nem existia
Quanto mais aquilo eu via
Pensava: “Eu tô sonhano”
Fiquei só admirano
A beleza de Sofia.

O apelido de Cambota
Por causa das perna dela
De tanto montar sem sela
Ficaram desaprumada
Eu disse: “Essa é minha fada
E nunca pensei um dia
Que tão feliz eu seria”
Eu tava era namorano
Fiquei só admirano
A beleza de Sofia.

Sua boca era tão murcha
Que até dava a impressão
Que num tinha dentição
Mas isso é pensar errado
Com os dente intramenlado
Toda vez que ela bebia
Por todo canto cuspia
Melano tudo e babano
E eu só admirano
A beleza de Sofia.

Acordamo no meu sítio
Que se chamava Serrota
Eu e Sofia Cambota
Nóis dois no meu pé-de-serra
Eu disse que aquela terra
Seria dela um dia
Sendo a minha companhia
Ter menino todo ano
E fiquei admirano
A beleza de Sofia.

Ela me deu um abraço
Disse: “Eu tô emocionada
Mas vou dá uma cagada
Pois eu num agüento mais”
Eu disse: “Vá lá pra trás
Da moita de melancia
Limpe com folha macia”
E fiquei ali cheirano
Fiquei só admirano
A beleza de Sofia.

Foi assim que começou
A nossa vida a dois
Só que seis meses depois
Chegou a disilusão
Comprei a televisão
E com aquilo que ela via
De tudo a mulhé queria
Os artista imitano
E eu só admirano
A beleza de Sofia.

Quando foi com mais um ano
Veio cuma novidade
Disse: “Eu vou na cidade
E preciso de dinheiro
Trabaiei o ano inteiro
Toda noite e todo dia
Sempre em sua companhia
Mas eu tô me acabano”
E eu fiquei elogiano
A beleza de Sofia.

Ela disse: “Eu vou cuidá
Um pouco do meu cabelo
Vou tirá das perna uns pêlo
Na tal de depilação
Nem que gaste um milhão
Vou fazer uma cirurgia”
Dei tudo que ela queria
A renda de vinte ano
E fiquei só maginano
A beleza de Sofia.

Eu disse: “vá minha gata
Faça o que quisé por lá
Se for pra mió ficá
Esse seu corpo bem feito
Se existisse algum jeito
Com certeza Deus faria
E mió te mandaria
Prus meus braço impurrano
Pra eu ficá adimirano
A beleza de Sofia”.

Meus zói se inchero dágua
Quando vi minha Cambota
Abandonano a Serrota
Montada numa jumenta
Pois a gente num agüenta
De vê nossa companhia
Parti numa montaria
Ir de nós se afastano
E eu fiquei me alembrano
Da beleza de Sofia.

Foi uma espera medonha
Quatro meses sem notíça
Feito urubu sem carniça
Nordestino sem baião
Fiquei numa aflição
Dia e noite, noite e dia
E naquela agonia
Eu fui me amofinano
Aperreado e alembrano
Da beleza de Sofia.

Mas um dia de manhã
Eu vi o sol mais bonito
De longe eu ouvi o grito
Da mulhé que eu esperava
Ela feliz galopava
Aquilo mais parecia
Um filme que eu vi um dia
Com os artista se abraçano
E eu fiquei só esperano
A beleza de Sofia.

Mas quando ela desmontou
Foi que eu vi a diferença
Eu quase num tive crença
Pois tava tudo mudado
Os óios tava aprumado
E quando a mulhé sorria
Os dente aparecia
A dentadura brilhano
E eu fiquei só comparano
A beleza de Sofia.

Os cabelo de fuá
Tava tudo estirado
Arrumou um penteado
Feito artista de cinema
Mas o meu maior problema
Era aquilo que eu via
A mulhé que eu queria
Tava ali só mudano
E eu fiquei me alembrano
Da beleza de Sofia.

E os peitim de umbu
Tudo siliconizado
Com os bico aprumado
Furano atrás do vestido
Os peito tinha crescido
Aquilo mais parecia
Coisa de feitiçaria
Só podia ser engano
E eu fiquei só me alembrano
Da beleza de Sofia.

Botou também silicone
Pra engrandecer a bunda
O que era reta e funda
Ficou grande e empinada
Dava cada rebolada
Que entronchava a bacia
Que eu pensei: “Ave Maria
Parece que eu tô sonhano
Tava tudo desmanchano”
A beleza de Sofia.

E por fim eu percebi
Quando olhei as perna dela
De torta e bela que era
Ficaro tudo aprumada
Disse: “Fui cirurgiada
Pois as perna carecia
De fazer uma cirurgia
Aquilo foi me enjoano
E eu fiquei só me alembrano
Da beleza de Sofia.

Foi quando eu me acordei
Com a Cambota dizendo:
“home o que é que tá fazendo
Que não levanta da cama”
Aquilo acendeu a chama
Fiquei feliz com o que eu via
Tinha amanhecido o dia
Vi que eu tava sonhano
Alegre fiquei olhano
A beleza de Sofia.

As perna tava cambota
E os dente entramelado
Os óio tava trocado
Um pro norte, outro pro sul
Os peitinho de umbu
E a bunda magra e sadia
Fizero a minha alegria
E eu fiquei pro céu olhano
Agradeceno e louvano
A beleza de Sofia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O chulé do jornalista fez o Bush passar mal




Todo império tem início
Todo início tem fim
Quem quer ser dominador
Tem fama de cabra
George Bush, um americano
Dono de um poder insano
Pra vencer Sadam Russem
Destruiu todo o Iraque
Nas famílias deu um baque
E hoje ninguém lhe quer bem.

Inventou que o Iraque
Em breve fabricaria
Poderosa arma química
E que o mundo destruiria
Tudo isso por petróleo
Matéria prima do óleo
Que a economia sustenta
Pelo aumento do ter
Por dinheiro e por poder
O que o homem não inventa.

No final do ano de
2008 afinal
George Bush convencido
Do seu erro tão fatal
Resolveu se desculpar
E para o mundo falar
Que tudo não passou de um erro
Que agora o negócio é
Colocar o Iraque em pé
E esquecer todos enterros.

No final do seu mandato
Bush tentou apagar
Toda merda que no mundo
Fez questão de propagar
Nunca apagará o ódio
Pode até subir no pódio
Sendo o mais odiado
Desde a China ao Japão
Índia, Rússia, Paquistão
O homem é repudiado.

Como o xerife do mundo
O presidente americano
Saiu lá do seu país
Foi ao solo iraquiano
E um jornalista novato
Resolveu jogar o sapato
Na testa do presidente
Foi gente prato do lado
E ele teria acertado
Se Bush não sai da frente.

Foi durante uma entrevista
Numa visita ao Iraque
Que George Bush ligeiro
Livrou-se do tal ataque
Num grande golpe de vista
O sapato do jornalista
Passou sem dar nem um toque
Passou fazendo um zumbido
Bem junto do pé-do-ouvido
Feito um missel tomarroque.

Bush mostrou ligeireza
Ao se livra do sapato
Foi mais rápido que um coelho
Mais esperto que um gato
Parecia o Bruce Lee
Se livrando aqui a ali
De golpes de caratê
A imagem correu o mundo
Quase no mesmo segundo
Na Internet e na TV.

A ligeireza do Bush
Só não conseguiu livra-lo
Do chulé do iraquiano
Que o atingiu como estalo
George Bush olhou pro lado
E assim desorientado
Disse; “Eu faço até uma aposta
Ouçam o que estou falando
O que passou aqui voando
Foi um tolete de bosta.

O que a TV não mostra
É o chulé do iraquiano
Foi igual uma bomba atômica
No nariz do americano
E prenderam o jornalista
Mesmo como um terrorista
Com uma arma biológica
Mas aquela acusação
Tem até certa razão
Foi fundamentada em lógica.

Quem estava ali presente
Sentiu forte o nariz
Querendo pular da cara
Com o chulé do infeliz
Dizem que aquela inhaca
Foi mistura de ticaca
Com o mijo do gambá
Bufa de buchada azeda
Peido que faz labareda
Fedorento pra lascar.

E quando os seguranças
Agarraram o agressor
Tiveram que agüentar
Aquele grande fedor
Levaram para a prisão
O homem com os pés no chão
E na cela o colocaram
Tinha três presos lá dentro
Gritaram eu não agüento
Os três no chão desabaram.

Enquanto isso o Bush
Continuava a entrevista
Dizendo: “É quarenta e dois
O número do jornalista”
Mas não estava agüentando
E muito mal respirando
Tava já passando mal
E se roendo por dentro
Pensando: “Que fedorento
O chulé desse animal”.

E George Bush saiu
Direto para o hotel
Tomou um banho ligeiro
Dizendo: “Oh meu Deus do Céu
Livrai-me dessa catinga
Desse povo que se vinga
Com uma bomba de chulé
Me livrei da sapatada
Mas dessa inhaca malvada
Eu só me livro com fé”.

E depois noutra entrevista
George Bush já curado
Livre daquele fedor
Disse: “Eu não estava errado
Eu comecei essa guerra
Dizendo que nessa terra
Arma química existia
Eu mesmo fui afetado
Por um míssel carregado
Com essa mercadoria”.

Mas quem gostou da notícia
Foi um inimigo eterno
O Sadam ficou sabendo
Numa Lan Rause no inferno
Pediu autorização
No gabinete do cão
Para fazer uma festa
Pra comemorar o dia
Que um sapato quase ia
Lascando o Bush na testa.

O Diabo disse: “Eu permito
É pena que o homem errou
Bush é meu concorrente
Na terra um inferno criou
Manda busca a cerveja
E uma dupla sertaneja
Pra festa ter alegria
E avise ao tal rapaz
Que não erre nunca mais
Vá treinando a pontaria”.